Mensagens

Descobrindo as palavras

 Nada mais bonitinho do que ver você falar. Água solitária, chuveiro herético, língua de sobra.  Língua de sobra... é o que você tem! E como tem! Falante como uma matraca, você deixa adultos boquiabertos, com o tanto que sua dicção é boa. Mas é insistente também. E birrenta. Muito birrenta! Hahaha, valha-me, Deus, nunca vi uma criança tão decidida a lutar por suas coisas quanto você. Espero que mantenha essa característica pela vida adulta (mas também espero que não nos maltrate muito no processo). Te amo, pequena pinga-fogo! mamãe

Dedão na boca do irmão

 Outro dia você enfiou o dedão do pé na boca do Max, dizendo que era uma chupeta. Essa é você, aos quatro anos.  Levada da breca, engraçada, divertida... e birrenta até doer os dentes. Fico imaginando, daqui a uns quinze anos, você lendo essa carta e sabendo que o tanto que você foi birrenta não foi um aumentativo de memória, mas uma realidade. Agora mesmo, há dez minutos atrás, você fez birra porque queria colocar uma meia-calça de gatinho. Depois fez birra porque queria o tênis que brilha. Depois outra birra porque, às seis da manhã, não te dei um Kinder Ovo em vez de café da manhã. Haja paciência. Depois do nascimento do seu irmão, suas birras se intensificaram sobremaneira. Afe, Maria! Maia, Maia, minha amada. Você é feliz e sua risada começa dentro da alma... é lindo ver você rir e ver você viver. Acho que, quando estiver mais mocinha, você vai ser muito vaidosa com suas coisas e vai querer cuidar muito bem dos estojos de lápis e maquiagens que você tanto já ama. Espero q...

Piolho!

 Você, minha querida, aos quatro anos, trouxe da escola para casa... piolhos! Hoje de manhã, enquanto penteava seus cabelos lisinhos e lindos, dei de cara com um... espremi entre as unhas. Depois, vi outro. E mais outro.  Fomos à farmácia, você e eu, enquanto o Max (com três meses e bem alimentado) ficou com a Alda, que é a moça que trabalha na casa da sua avó Zizi fazendo faxina. Compramos remedinhos pra passar na cabeça e para tomar. Fizemos um dia de spa, na banheira da vovó, enquanto eu penteava seus cabelos e ia tirando os bichos mortos... rs... que situação! Alice nunca teve piolhos. Os últimos que eu me lembrava de ter visto foram os meus próprios, há quarenta anos, mais ou menos. E logo você, com esse cabelo tão fininho... deu de trazer os  bichinhos. Que sina! Você ficou triste e preocupada: não queria um piolho mordendo a sua cabeça! Teve medo de doer... ficou imaginando os dentes dele e sentindo uma aflição danada... hahaha! Ainda  bem que eram poucos e co...

Nastya, piscina e espera

 Estamos às vésperas do mês do seu aniversário e seu irmão, prestes a nascer.  Enquanto esperamos, ficamos na casa da sua avó materna, porque nossa casa é muito longe de qualquer hospital e eu não quero ter de passar mais do que as dificuldades necessárias pro Max chegar (compreensível, não é?). Só que, no apartamento da vovó, não temos o mesmo espaço que temos em nossa casa. E também não temos os cachorros. Nem o quintal. Nem a praia na frente de casa. Nem o seu quarto, com o pula-pula, o escorregador e as mil bonecas. O que resta? Limitadas opções: desenho, massinha, piscina do vovô (que é pequena e eu teria de entrar junto, mas estou muito pançuda) e Nastya. Geralmente você escolhe a Nastya.  Acho que, quando estiver adolescente, vai sentir um bocado de vergonha de ter gostado tanto de assistir a esse canal do youtube. A Nastya, que é uma menininha muito sem graça,  faz vídeos com seu pai. Falam um monte de besteiras e bobagenzinhas, o chão é lava, pizzas falantes...

Quase quatro anos e sua primeira carta

Enquanto escrevo essa carta, você está no sofá da sua avó materna, assistindo um desenho animado e espirrando.  Todas as manhãs você espirra uma carreira inteira de atchins e temos quase certeza de que a coisa é alérgica (começou há pouco mais de mês e seu pai e seu avô paterno fazem igualzinho). É um prazer imenso ver você  crescer, da mesma forma como foi um prazer imenso gestar você e sentir você nascer.  Você foi meu primeiro (por enquanto, único) parto normal. Sem anestesia, sem analgesia, sem nada. Só eu, você, duas equipes médicas e o tempo. Numa quarta-feira, às seis e meia da manhã, a bolsa estourou e seu pai e eu corremos para o hospital. Atravessamos a ponte que liga Vila Velha a Vitória e chegamos no Hospital Santa Úrsula antes das nove da manhã. Não havia sala disponível. Mas uma vagou em tempo: fomos para lá, depois de uma visita (para mim parecia interminável, mas seu pai disse que foi rápida) a uma salinha da médica, para aferir suas condições com uma...