Quase quatro anos e sua primeira carta
Enquanto escrevo essa carta, você está no sofá da sua avó materna, assistindo um desenho animado e espirrando.
Todas as manhãs você espirra uma carreira inteira de atchins e temos quase certeza de que a coisa é alérgica (começou há pouco mais de mês e seu pai e seu avô paterno fazem igualzinho).
É um prazer imenso ver você crescer, da mesma forma como foi um prazer imenso gestar você e sentir você nascer.
Você foi meu primeiro (por enquanto, único) parto normal. Sem anestesia, sem analgesia, sem nada. Só eu, você, duas equipes médicas e o tempo.
Numa quarta-feira, às seis e meia da manhã, a bolsa estourou e seu pai e eu corremos para o hospital. Atravessamos a ponte que liga Vila Velha a Vitória e chegamos no Hospital Santa Úrsula antes das nove da manhã. Não havia sala disponível. Mas uma vagou em tempo: fomos para lá, depois de uma visita (para mim parecia interminável, mas seu pai disse que foi rápida) a uma salinha da médica, para aferir suas condições com uma cardiotocografia.
As contrações não eram espaçadas. Foi marretada após marretada, até você chegar. Antes de uma da tarde, a gente já estava se vendo pela primeira vez. Foi mágico.
Que sensação de outro mundo, essa de passar por um parto normal! Você me proporcionou algo que eu nunca pensei que teria. Uma segunda filha. Um primeiro parto. E um recomeço mais do que esperado.
Antes de você, Alice e eu achávamos que seríamos nós contra o mundo para o resto da vida. Vivíamos sozinhas desde que ela tinha três anos e pouquinho...já estávamos acostumadas a sermos só nós e, por isso, não me programei nadinha para prepará-la para a possibilidade de uma irmã (nem de um casamento para mim).
Mas quando vi seu pai, não teve jeito. Ele não saía da minha cabeça. Aquele moço lindo, com os olhos mais profundos e as mãos mais largas... Um homem silenciosamente presente, que preenchia todos os espaços dos meus pensamentos... aaaahhh, eu estava muito apaixonada mesmo! E ainda sou!
Você demorou poucos anos para aparecer e consolidar nossa família. Contei pra ele que estava grávida no dia do aniversário dele. Imagina esse presente!
A gravidez foi tranquila, na maioria do tempo, com a exceção de uns dias de estresse depois do quarto mês, quando eu tive um escape de sangue e fiquei muito preocupada. Precisei ficar uns dez dias deitada, em repouso, tomando um remedinho, para garantir que nada de pior acontecesse. E não aconteceu.
Você veio linda, saudável, a termo. Estávamos, os três, apaixonados por você.
Sua irmã se derreteu quando te viu pela primeira vez. Seus avós também. Todo mundo.
E hoje, quase quatro anos depois, seu sorriso e bom humor nos contagiam a todos. Você é um poço de alegria, disposição e bem aventurança, minha pequena! Que bom!
Com seu irmão na barriga (estou com 38 semanas de gravidez), escrevo isso com muita certeza: ter você foi a melhor escolha. Você é sensacional!
Te amo infinitamente!
mamãe
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